Grato, Guilherme

Deixa o STF decidir as eleições

Publicado em Uncategorized por Guilherme Oliveira em setembro 30, 2010

O STF já parece bastante decidido a não permitir que as eleições de domingo signifiquem rigorosamente nada. Todo o trabalho perceptível da mais alta corte do país nos últimos tempos foi destinado a confundir os eleitores, deixar situações indefinidas ainda mais indefinidas, contradizer-se e, de uma forma geral, melar tudo. Chegamos ao último dia útil da semana do pleito absolutamente confusos.

Não que eu esteja questionando as decisões dos ministros. Longe de mim. Se eu tivesse a envergadura intelectual para argumentar com qualquer um deles, estaria também reivindicando minha toga. Não, não estou contestando decisões… porque não há decisões! A Ficha Limpa é o emblema disso. O problema não é o julgamento contra ou a favor, e nem poderia ser – o problema é julgamento nenhum. Tudo bem que o tribunal precisa que alguém apareça com recurso provocando uma conferência dos magistrados, e isso só poderia acontecer a partir do momento em que as candidaturas apareciam oficialmente e passavam por outras instâncias, etc e tal… Mesmo assim. Custava um esforço pra botar tudo em pratos limpos assim que apareceu a oportunidade, há mais de uma semana da eleição? Aparentemente sim. Levaram dois dias e saíram lavando as mãos.

A consequência disso? Todos os postulantes que estão por um fio, só esperando decisão do STF, não terão votos divulgados. Alguns deles são tão importantes e/ou favoritos na disputa que, na prática, as urnas não servirão para coisa alguma – pelo menos até termos a decisão final do Supremo, o que ainda pode levar muito tempo. Pior é o caso de alguns candidatoas a deputados que são notórios puxadores de votos, como Paulo Maluf. Sem as menções eletrônicas a ele, não se saberá quantos caroneiros ele levará consigo. Ou seja, a Câmara também ficará pelo meio do caminho até o voto definitivo. E pode ser que a nova legislatura comece sem sabermos quem deveria estar trabalhando nela.

Mas não devo ser injusto. Os togados decidiram sim uma coisa. Aliás, bi-decidiram. A questão dos documentos na hora de fazer cócegas na urna. O próprio STF deu joinha para uma nova resolução que dizia ser necessário o título de eleitor e um documento com foto (antes, era preciso um só). Partidos e propaganda oficial passaram meses martelando isso para os eleitores. A esmagadora maioria deve ter entendido. Agora, em cima do laço, alguns petistas resolveram que não gostam mais da tal resolução e pediram que o STF reconsiderasse. E – repito, a três dias da eleição – o STF reconsiderou! Mudou tudo, voltou a como era antes, simples assim. “Eu sou o STF, eu posso, aqui pra vocês”. Ou seja, verba pública e partidária gasta em campanhas que agora são obsoletas. Não tem nenhum problemão, é verdade, já que os eleitores que não ficarem a par da re-mudança vão levar documentos a mais, não a menos, e ninguém vai ficar sem votar por causa disso. Mas uma atitude dessas vinda do tribunal mais importante do país é uma gozação. AInda mais considerando que poderiam ter gasto esse tempo, sei lá, votando a Ficha Limpa.

Então, já sei o que fazer. Deixa o STF decidir as eleições. Os dez ministros em plenário desde a manhã de domingo decidindo quem ganha. Faz sessão-corujão se for o caso. Aí eles decidem estado por estado, cadeira por cadeira, até a presidência, já que estão com tanta vontade de brincar com o nosso processo eleitoral. Só não vale pedir vista.

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