Dependência de Libertadores
Futebol é uma das minhas coisas favoritas. Adoro assistir, pesquisar sobre, jogar (beque ou goleiro, se alguém estiver precisando)… Sou são-paulino, mas nunca fui ao Morumbi, já que moro a várias centenas de quilômetros do portão de entrada mais próximo. Tenho um blog sobre futebol, atualmente em hibernação. Justamente por causa disso vou escrever sobre o tema aqui, que é um espaço livre.
A última da CONMEBOL, uma das organizações mais caóticas que existem em qualquer área, foi transformar o campeão da Copa Sul-Americana em participante da Copa Libertadores do ano seguinte. Era algo que já se pedia, buscando valorizar a pobre Sul-Americana – o equivalente futebolístico do Caçulinha. Acho que faz exatamente o contrário, e reforça uma tendência terrível no futebol local, que é a dependência de Libertadores.
Por que cargas d’água o segundo torneio mais importante da América do Sul só pode receber a devida importância quando vinculado umbilicalmente ao primeiro? Isso, pra mim, cheira a de desistência da CONMEBOL (que eu chamo, carinhosamente, de “come-bola”) em transformar a Sul-Americana em um campeonato com luz própria. Os times brasileiros sempre encararam a Sul-Americana como uma consolação e, na primeira oportunidade, mandavam os reservas para as partidas se a situação no Campeonato Brasileiro fosse mais conveniente. Em vez de tentar corrigir isso enchendo a bola da própria Sul-Americana, empresta-se um pouquinho do sucesso da Libertadores para a pobre competição indigente.
O mesmo acontece com a Copa do Brasil. Sejamos francos, ela só significa alguma coisa para os clubes por dar vaga na Libertadores. Sua criação foi uma boa ação da gestão de Ricardo Teixeira, mas parece que o barão da CBF achou que um acerto por mandato seria suficiente e esqueceu de nutrir o torneio de prestígio. Ou seja, vai deixando passar a oportunidade de transformar a Copa num belo encontro entre os grandes e pequenos do nosso futebol, com oportunidades iguais para todos – para isso os estaduais teriam que acabar também, mas é outra história. Hoje, é só uma espécie de vestibular. Por si só não tem valor, o que é uma pena.
Por último, leio na Zero Hora que existe a ideia, ainda em gestação, de se criar um campeonato de seleções estaduais. Achei bacana, fui ler os detalhes: o estado campeão ganha vaga na Libertadores. Desanimei na hora.
É um indicador claro da fraqueza, digamos, “institucional” do futebol brasileiro e do sul-americano. Já se fez uma competição importante,mas não se tem a competência para fazer outra. Logo, vincula-se tudo àquela e estamos conversados. Grandes gestores.
Deixe seu comentário