Pior que ‘tá…
Tiririca é o figuraça da vez nas eleições, e, nessa fase final das campanhas, virou também alvo principal de muita gente que quer mostrar que defende a seriedade e a moralidade do processo político. É uma pá de candidatos em São Paulo dizendo que a presença do “abestado” no horário eleitoral é uma afronta, uma zombaria, uma piada sem graça, etc. E apareceram também algumas acusações mais graves, como falsidade ideológica e a suspeita de que o humorista não saberia ler ou escrever. No caso das denúncias tudo bem, apure-se e, se for o caso, puna-se. Mas calma lá para os pilares de retidão que se ofendem com a candidatura do Tiririca.
Antes de mais nada, minha opinião: eu não votaria no Tiririca nem amarrado. Acho que é até pior do que votar nulo, porque convenhamos, se não quer ajudar também não atrapalha, né. É certo, cristalino, que, se eleito, o palhaço não vai fazer absolutamente nada que um deputado correto deve fazer. É um mero puxador de votos, pra levar na garupa uns zés do partido.
Mas daí a dizer que o cara não deveria nem concorrer, pela lisura das eleições, vai uma grande distância. Todo mundo pode concorrer a um cargo se quiser, desde que cumpra as condições legais. Uma vez que esteja de boa com a justiça, seja feliz. O cara está em pleno exercício dos seus direitos. Eu acho que Tiririca deputado seria uma lástima? Claro, mas é só não votar nele. Ou melhor: saber educar a população para que todas as pessoas saibam valorizar o seu voto, dando-o para um candidato de verdade. Campanha qualquer aparecido pode fazer à vontade, é livre pra isso, mas se houver uma cultura política sólida ele não vai se eleger. E ponto.
Isso, porém, cabe aos parlamentares e governantes que se querem sérios. Mas é bem mais fácil puxar o tapete do Tiririca – e, consequentemente, pegar uma caroninha malandra no meme eleitoral do ano – do que fazer o trabalho que eles tanto alardeiam que fazem.
Deixe seu comentário