No julgamento da Ficha Limpa
Alguma inspiração cívica e profissional bastante súbita me acometeu ontem, e fui à Praça dos Três Poderes acompanhar, na frente do Supremo Tribunal Federal, o julgamento da validade imediata ou não da Lei da Ficha Limpa. Que orgulho de mim.
O processo eleitoral do DF está bem no centro de toda essa discussão, já que o julgamento é provocado pela campanha do ex-imperad… aliás, ex-governador Joaquim Roriz, que por enquanto perdeu todas nas instâncias mais baixas da Justiça e não tem certeza quanto ao prosseguimento de sua mais nova candidatura ao governo do Distrito Federal.
Cheguei na praça às 15h40, depois de cumprir compromissos familiares. Já tinha bastante gente lá, principalmente a claque rorizista, muito numerosa e devidamente equipada de bandeiras, adesivos, fitas azuis e má educação. Do outro lado de uma grade posicionada pela polícia estava a miríade de opositores do rei do gado: partidários do PSTU e do PSOL, um solitário representante do PV, integrantes do movimento Roriz Nunca Mais e curiosos em geral (em Brasília, curiosos em geral são infalivelmente anti-Roriz).
Era difícil saber o que se passava no plenário do tribunal estando do lado de fora. Nem as rádios davam informações precisas, se limitando a dizer, periodicamente, que o julgamento prosseguia. Com o passar do tempo ficamos sabendo que vários advogados e o Procurador-Geral da República já haviam defendido suas posições e o relator do processo, ministro Carlos Ayres Britto, lia seu voto – a favor da aplicação da lei a partir destas eleições. Foi um baita voto, pois durou umas duas horas. Nesse intervalo, até tive a chance de usar um banheiro do Congresso. Bacana. Fiz na casa do povo brasileiro a mesma coisa que muitos deputados e senadores fazem.
No fim das contas, lá pelas 18h20, pessoas começaram a sair do prédio do tribunal. Um assessor de qualquer coisa veio com a notícia de que o ministro José Antônio Dias Toffoli havia pedido vista do processo e provocado o adiamento do veredicto em um dia. Mas a informação transmitida pelo sujeito era de que, a partir de manifestações de ministros durante o voto de Ayres Britto, havia a expectativa de um julgamento até bem largo contra as intenções de Roriz – contrariando o que se comentou durante a semana, que apontava os togados mais propensos a decidir algo que favorecesse o luminar de Luziânia. Porém, parece que o presidente do STF, Cezar Peluso, deu algumas declarações inesperadas contra a própria constitucionalidade da nova legislação, sugerindo que ela voltasse para a Câmara para ter alguns pontos revistos.
Hoje tem mais, mas não posso ir. Se a agenda do dia deixar, trago para cá algumas das entrevistas que fiz durante o evento, com a ajuda do fiel gravadorzinho. OPA, UPDATE: Fui tentar passar pra cá as entrevistas e o WordPress me informa que se eu quiser fazer upload de arquivos de áudio tenho que pagar. Aqui, farroupilha! Como transcrever entrevistas não tem a menor graça pra ninguém, fico na vontade e sem ter como provar que eu falei com o Danilo Gentili.
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